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Mais sobre Irene Lisboa ...

 
 

Histórias de Irene Lisboa

 

São "histórias para maiores e mais pequenos se entreterem", no dizer da autora, histórias para ler ou para serem lidas por alguém que queira bem ao ouvinte, histórias para pensar e interpretar e, cheias de diálogos, incitar às conversas. Há relatos de vidas de um tempo não muito distante mas que parece longínquo, de um país rural onde as vozes dos burros chegam ao céu e as patas são rainhas. Há também feiticeiras (e suas filhas), flautas mágicas, bonecas coradinhas e príncipes gémeos, nesta obra publicada pela primeira vez em 1958. Como escreve Violante Florêncio no prefácio "temos a oportunidade de contactar com uma obra cuidadosamente planeada para os mais pequenos por parte de uma escritora que, dificilmente, se pode ver isolada da sua outra faceta: a de educadora". E há que ter em conta que em Queres ouvir? Eu conto "os sistemas de valores habitualmente detetáveis na literatura para crianças não são legitimados. Nem sempre os 'maus' serão punidos ou os 'bons' recompensados.

 

Nestes textos não se 'educa': respeitam-se os impulsos, bons ou maus, das personagens, que se descrevem sem moralizar". Porque como escreveu Irene Lisboa (1892-1958) em Educação, de 1944, educar é "uma espécie de jogo em que mais se ganha quanto mais se perde, ou se cede". 

 


Nascida no concelho de Arruda dos Vinhos, no dia de Natal de 1892, Irene Lisboa foi professora primária e pedagoga. Sempre escreveu, deixando uma obra vasta na literatura infantojuvenil, na prosa, na poesia e na pedagogia. Uma mão cheia de nada outra de coisa nenhumaÀ DescobertaSolidão - Notas do Punho de uma MulherComeça uma VidaVoltar atrás para Quê?Título Qualquer Serve para Novelas e NoveletasO primeiro ensino, I e IIA iniciação do cálculo e Modernas tendências da educação, são alguns dos seus livros.

 

 

 

www.presenca.pt/editorial/historias-de-irene-lisboa/

 
 
Reflexão sobre "O Patinho Feio"
 

Reflexão sobre “O Patinho Feio”

 

“Trata-se de uma história básica em termos psicológicos e espirituais. Uma história básica é aquela que contém uma verdade tão fundamental para o desenvolvimento humano que, sem a incorporação desse fato, o avanço se torna duvidoso e ninguém consegue prosperar sob aspeto psicológico enquanto não perceber essa verdade.”

 

“O patinho feio' tem muitas versões, todas contendo o mesmo número de significados; mas cada uma, cercada de diferentes enfeites e franjas que refletem o meio cultural da história bem como o talento poético de cada narrador.
Os significados básicos que nos interessam são os seguintes: o patinho da história simboliza a natureza selvagem, que, quando forçada a enfrentar circunstâncias pouco propícias, luta instintivamente para continuar viva apesar de tudo. A natureza selvagem sabe instintivamente aguentar e resistir, às vezes com elegância, às vezes sem muito estilo, mas resistindo assim mesmo. Graças a Deus por esse aspeto. Para a mulher selvagem, a continuidade é uma das suas maiores forças.

Outro aspeto importante da história é o que, quando a vibração específica da alma de um indivíduo, que tem tanto uma identidade instintiva quanto uma espiritual, é cercada de aceitação e reconhecimento psíquico, a pessoa sente a vida e a força como nunca sentiu antes. Descobrir com certeza qual é a sua verdadeira família psíquica proporciona ao indivíduo a vitalidade e a sensação de pertencer a um todo.”


 


A rejeição à criança diferente

"As meninas que demonstram ter uma forte natureza instintiva muitas vezes passam por sofrimentos significativos no início da vida. Desde a época em que são bebês, são mantidas presas, domesticadas, e ouvem dizer que são inconscientes ou teimosas. Suas naturezas selvagens revelam-se bem cedo. Elas são curiosas, habilidosas e possuem excentricidades leves de vários tipos, características estas que, se desenvolvidas, constituiriam a base para sua criatividade para o resto das suas vidas. Considerando-se que a vida criativa é o alimento e a água para a alma, esse desenvolvimento básico é de importância dolorosamente crítica.

Geralmente, o isolamento precoce começa sem que seja por nenhuma culpa da criança e é exacerbado pela incompreensão, pela crueldade da ignorância ou pela perversidade proposital dos outros. Nesse caso, o self básico da psique é ferido desde cedo. Quando isso acontece, a menina começa a acreditar que as imagens negativas dela mesma, refletida pela família e pela cultura em que vive, são não só verdadeiras mas também totalmente isentas de preconceito, de influência da opinião e de preferências pessoais. A menina começa a acreditar que ela é fraca, feia, inaceitável, e que isso continuará a ser verdade não importa o esforço que ela faça para reverter a situação.
A menina é rejeitada pelos mesmos motivos que vemos na história do patinho feio. Em muitas culturas, existe uma expectativa, quando nasce uma filha, de que ela é ou será um certo tipo de pessoa, que aja de um certo modo consagrado pelo tempo, que siga um certo conjunto de valores que, se não forem idênticos aos da família, pelo menos se baseiem nos valores da família, e que seja como for não abale os alicerces. Essas expectativas têm definições muito estritas quando um dos pais, ou ambos, sofre do desejo de ter um 'anjo de filha', a criança 'perfeita' e obediente."

"Nem a criança, nem sua psique, podem, aceitar essa situação. A pressão no sentido de se 'adequar', seja qual for a definição que a autoridade dê ao padrão, pode perseguir a criança até que ela fuja para longe, para um mundo oculto ou para vaguear muito tempo à procura de um lugar para se abrigar e viver em paz.

Quando a cultura define detalhadamente no que consiste o sucesso ou a perfeição desejável sob qualquer aspeto - na aparência, na altura, na força, na forma física, no poder aquisitivo, na economia, na masculinidade, na feminilidade, na atitude de bom filho, no bom comportamento, na crença religiosa - existem ditames correspondentes e tendências à avaliação na psique de todos os seus membros. Portanto, as questões da mulher selvagem rejeitada geralmente são duplas: a íntima e pessoal, e a externa e cultural."

 

Autora: Carmen Corrêa

lobasquecorrem.blogspot.com/2009_05_01_archive.html

 
Biografia de Hans Christian Anderson
 

Hans Christian Andersen

Escritor dinamarquês

 

Hans Christian Andersen (1805-1875) foi escritor dinamarquês. Autor de "Soldadinho de Cumbo", "O Patinho Feio", "A Pequena Sereia", entre outros contos infantis, que percorreram o mundo.

Hans Christian Andersen (1805-1875) nasceu em Odense, Dinamarca, no dia 2 de abril de 1805. Seu pai era sapateiro, mas tinha sonhos grandiosos. Alistou-se como soldado, para lutar nas guerras napoleônicas. No entanto, um ano mais tarde, voltou gravemente doente à sua terra natal, onde veio a falecer.

Quando sua mãe casou novamente, Hans teve que se cuidar sozinho. Não conseguiu se adaptar a nenhum ofício. Abandonou os estudos por falta de recursos. Começou a criar contos e pequenas peças teatrais. Nessa época uma companhia de teatro estava percorrendo o interior da Dinamarca. Andersen não perdeu nenhuma apresentação. Terminada a temporada, a companhia seguiu viagem.

Hans resolve partir. Com uma carta de apresentação, foi para Compenhague, capital do país. Não encontrou ninguém que estivesse disposto a empregá-lo. Os estudos de balé, aos quais se dedicou, não o ajudaram em nada. As decepções não o desanimaram. Sentia-se cada vez mais atraído pelo teatro e não parava de escrever peças. Duas peças suas chegaram às mãos do conselheiro de Estado, que ofereceu-lhe uma bolsa de estudos.

Foram seis anos passados na escola de Slagelse, apesar de ser o mais velho e o maior da turma. Aplicou-se nos estudos com afinco. Terminado o curso, estava com 22 anos. Para sair da crise financeira, escreveu histórias infantis, baseadas no folclore dinamarquês. Pela primeira vez o resultado foi excelente, os contos foram um sucesso. Divulgados rapidamente, deu-lhe a fama que ele tanto procurava.

 

Algumas obras de Hans Christian Andersen

 

A Agulha de Cerzir - A Caixinha de Surpresa - A Casa Velha
- A Colina dos Elfos - A Margaridinha - A Pastora e o Limpador de Chaminés - A Pequena Sereia - A Pequena Vendedora de Fósforos - A princesa e o Grão de Ervilha - A Rainha da Neve - A Roupa Nova do Rei - A Sombra - As Cegonhas - As Flores da Pequena Ida - As Galochas da Fortuna - Cada Coisa em seu Lugar - Cinco Grãos de uma só Vagem - Dentro de Milênios - Ela Não Valia Nada - Histórias Que o Vento Contou - João-Pato - Mágoas do Coração - Nicolau o Grande e Nicolau Pequeno - O Anjo - O Boneco de Neve - O Colarinho - O Companheiro de Jornada - O Guardador de Porcos - O Isqueiro Mágico - O Jardim do Paraíso - O Menino Mau - …

 

www.e-biografias.net/hans_christian_andersen/

 

Biografia de Sophia de Mello Breyner Andresen

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu a 6 de Novembro de 1919 no Porto.[2] [3] Sophia era filha de Maria Amélia de Mello Breyner e de João Henrique Andresen. Tem origem dinamarquesa pelo lado paterno. O seu bisavô, Jan Heinrich Andresen, desembarcou um dia no Porto e nunca mais abandonou esta região, tendo o seu filho João Henrique comprado, em 1895, a Quinta do Campo Alegre, hoje Jardim Botânico do Porto.[4] Como afirmou em entrevista, em 1993,[5] essa quinta "foi um território fabuloso com uma grande e rica família servida por uma criadagem numerosa".[4] A mãe, Maria Amélia de Mello Breyner, é filha do Tomás de Mello Breyner, conde de Mafra, médico e amigo do rei D. Carlos. Maria Amélia é também neta do conde Henrique de Burnay, um dos homens mais ricos do seu tempo.

Criada na velha aristocracia portuguesa, educada nos valores tradicionais da moral cristã, foi dirigente de movimentos universitários católicos quando frequentava Filologia Clássica na Universidade de Lisboa (1936-1939)[2] [3] que nunca chegou a concluir. Colaborou na revista Cadernos de Poesia, onde fez amizades com autores influentes e reconhecidos: Ruy Cinatti e Jorge de Sena.[2] [3] Veio a tornar-se uma das figuras mais representativas de uma atitude política liberal, apoiando o movimento monárquico e denunciando o regime salazarista e os seus seguidores. Ficou célebre como canção de intervenção dos Católicos Progressistas a sua "Cantata da Paz", também conhecida e chamada pelo seu refrão: "Vemos, Ouvimos e Lemos. Não podemos ignorar!"

Casou-se, em 1946, com o jornalista, político e advogado Francisco Sousa Tavares[2] [3] e foi mãe de cinco filhos: uma professora universitária de Letras, um jornalista e escritor de renome (Miguel Sousa Tavares), um pintor e ceramista e mais uma filha que é terapeuta ocupacional e herdou o nome da mãe. Os filhos motivaram-na a escrever contos infantis.

Em 1964 recebeu o Grande Prémio de Poesia pela Sociedade Portuguesa de Escritores pelo seu livro Livro sexto. Já depois da Revolução de 25 de Abril, foi eleita para a Assembleia Constituinte, em 1975, pelo círculo do Porto numa lista do Partido Socialista, enquanto o seu marido navegava rumo ao Partido Social Democrata.

Distinguiu-se também como contista (Contos Exemplares) e autora de livros infantis (A Menina do Mar, O Cavaleiro da Dinamarca, A Floresta, O Rapaz de Bronze, A Fada Oriana, etc.). Foi também tradutora de Dante Alighieri e de Shakespeare e membro da Academia das Ciências de Lisboa. Para além do Prémio Camões, foi também distinguida com o Prémio Rainha Sofia, em 2003.

Sophia de Mello Breyner Andresen faleceu, aos 84 anos, no dia 2 de Julho de 2004, em Lisboa,[2] [3] no Hospital da Cruz Vermelha. O seu corpo foi sepultado no Cemitério de Carnide. Em 20 de Fevereiro de 2014, a Assembleia da República decidiu homenagear por unanimidade a poetisa com honras de Panteão.[6] [7] A cerimónia de trasladação teve lugar a 2 de julho de 2014.[8] [9]

Desde 2005, no Oceanário de Lisboa, os seus poemas com ligação forte ao Mar foram colocados para leitura permanente nas zonas de descanso da exposição, permitindo aos visitantes absorverem a força da sua escrita enquanto estão imersos numa visão de fundo do mar.

 

Caracterização da obra


O Mar é um dos conceitos-chave na criação literária de 'Sophia de Mello Breyner Andresen: "Desde a orla do mar/ Onde tudo começou intacto no primeiro dia de mim".[15] O efeito literário da inspiração no Mar pode se observar em vários poemas, como, por exemplo, "Homens à beira-mar" ou "Mulheres à beira-mar". A autora comenta isso do seguinte modo:

"Esses poemas têm a ver com as manhãs da Granja, com as manhãs da praia. E também com um quadro de Picasso. Há um quadro de Picasso chamado Mulheres à beira-mar. Ninguém dirá que a pintura do Picasso e a poesia de Lorca tenham tido uma enorme influência na minha poesia, sobretudo na época do Coral… E uma das influências do Picasso em mim foi levar-me a deslocar as imagens."[15]

Outros exemplos em que claramente se percebe o motivo do mar são: "Mar" em Poesia, 1944; "Inicial" em Dual, 1972; "Praia" em No Tempo dividido; "Praia" em Coral, 1950; "Açores" em O Nome das Coisas, 1977. Neles exprime-se a obsessão do mar, da sua beleza, da sua serenidade e dos seus mitos. O Mar surge aqui como símbolo da dinâmica da vida. Tudo vem dele e tudo a ele regressa. É o espaço da vida, das transformações e da morte.

A cidade constitui outro motivo frequentemente repetido na obra de SMB ("Cidade" em Livro Sexto, 1962; "Há Cidades Acesas", Poesia, 1944; "Cidade" em Livro Sexto, 1962; "Fúrias", Ilhas, 1989). A cidade é aqui um espaço negativo. Representa o mundo frio, artificial, hostil e desumanizado, o contrário da natureza e da segurança.

Outro tópico acentuado com frequência na obra de Sophia é o tempo: o dividido e o absoluto que se opõem. O primeiro é o tempo da solidão, medo e mentira, enquanto o tempo absoluto é eterno, une a vida e é o tempo dos valores morais ("Este é o Tempo", Mar Novo, 1958; "O Tempo Dividido", No Tempo Dividido, 1954). Segundo Eduardo Prado Coelho,[16] o tempo dividido é o tempo do exílio da casa, associado com a cidade, porque a cidade é também feita pelo torcer de tempo, pela degradação.

'Sophia de Mello Breyner Andresen era admiradora da literatura clássica. Nos seus poemas aparecem frequentemente palavras de grafia antiga (Eurydice, Delphos, Amphora). O culto pela arte e tradição próprias da civilização grega são lhe próximos e transparecem pela sua obra ("O Rei de Itaca", O Nome das Coisas, 1977; "Os Gregos", Dual, 1972; "Exílio", O Nome das Coisas, 1977; "Soneto de Eurydice", No Tempo Dividido, "Crepúsculo dos Deuses", Geografia; "O Rei de Itaca", O Nome das Coisas, 1977; "Ressurgiremos", Livro Sexto, 1962).

Além dos aspetos temáticos referidos acima, vários autores [17] [18] [19] [20] sublinham a enorme influência de Fernando Pessoa na obra de 'Sophia de Mello Breyner Andresen. O que os dois autores têm em comum é: a influência de Platão, o apelo ao infinito, a memória de infância, o sebastianismo e o messianismo, o tom formal que evoca Álvaro de Campos. A figura de Pessoa encontra-se evocada múltiplas vezes nos poemas de Sophia ("Homenagem a Ricardo Reis", Dual, 1972; "Cíclades (evocando Fernando Pessoa)", O Nome das Coisas, 1977).

 

 

De modo geral, o universo temático da Autora é abrangente e pode ser representado pelos seguintes pontos resumidos[: